sábado, 31 de dezembro de 2011

Como tudo começou...

E aqui, a história de como começou.
Um pouco de romance, um pouco de drama, mas nada fugindo da realidade.
Uma história simples sobre como uma mulher muda a vida de um homem.

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De pequeno, acho que eu sempre quis ser uma alma livre. Nunca gostei de "correntes" nos meus pés e restrições ao meu jeito de ser...nunca fui uma criança arteira, mas gostava de ser livre.
Ter sido criado em uma família um tanto controladora e com uma irmã ciumenta e irracional foi, gradualmente, fazendo com que eu crescesse não rebelde, mas um tanto revoltado. Não me levem a mal, nunca faltou nada para minha família: comida, estudos, moradia, bens...mas acho que o surgimento de revolta por ser criado para ser o que você não é é um tanto independente de qualquer classe social.

E assim fui criado.
Quando tudo aconteceu, é verdade que eu era jovem. Talvez não soubesse como eram as coisas...talvez ainda não saiba, mas já tinha naquela idade, com o evoluir da hitória, cada vez mais a absoluta certeza de que o que estava acontecendo era (ou seria) grande e importante para mim.

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Para mim, seria uma viagem à praia como outra qualquer. Não gostava de ir à praia.
Desde criança, estava acostumado a viajar com amigos para diferentes cidades, para tocar com meu grupo...não deixava de ser uma responsabilidade, mas era bem mais divertido, aprendia muito sobre amizade, cultura, respeito e espírito de grupo, que hoje são coisas que pouquíssimos jovens sabem. Inclusive os que entraram no grupo depois, mas acham que sabem mais que nós que estamos desde os primórdios, mas isso é outra história, e não quero mais delongas do que já sei que vou gerar com esta história. Mesmo quando ia viajar para tocar, até os 13 anos, levava bronca do pai e da irmã pentelha porque não sabia o que uma bendita cidade pra onde tínhamos ido tocar plantava. Considerando os valores que aprendia, acho que até hoje fariam muito mais diferença na vida de qualquer um...aliás, quem nessa idade se importa com Itariri plantar bananas?? Enfim, para minha família, não fazia a mínima diferença...

Como dizia, odiava ir à praia...até então, ia para para o litoral sempre com familiares, e era sempre forçado pelo meu pai a ir à praia. Férias não eram sinônimo de descanso, e sim, de época em que eu nunca fazia o que eu queria. A idade da "aborrecência" também não ajudava.
Em janeiro de 2002 não sabia que minha vida ia mudar. Para melhor...pra depois piorar exponencialmente.
Como tinha dito, a vida era sempre muito restrita. Com isso fui crescendo um tanto revoltado, mas só por dentro. Apesar das desavenças e tudo o mais, isso mantinha um equilíbrio bastante grande. Uma só vez minha irmã resolveu quebrar esse equilíbrio, brigando com toda a família...foi a vez em que vi que eu tinha me tornado diferente por dentro e o que deixei sair restaurou o equilíbrio, mas me desestabilizou por dentro. Ainda tinha ódio demais, até mesmo para minha idade.

Foi quando chegou a viagem à praia de 2002. Nada poderia ter feito com que eu estivesse preparado para ela.
Foi me dito que, no início do mês, chegariam 3 convidados de Campo Grande de um primo meu, para passar as férias em São Paulo: um casal de irmãos e uma amiga da garota. Ana, JG (os irmãos) e Tomoe (nome fictício)
Eu, atraidíssimo por praia que era, não quis ir, mas iam meu primos mais próximos e jogaríamos video-game (nossa atividade favorita) boa parte do tempo. Moleques....jogávamos os 5 moleques, e as meninas ficavam fazendo...coisas de meninas. Tudo ia tranquilo, íamos pra praia, ficávamos brincando, jogando, e rindo o tempo todo. Uma bela noite, simplesmente resolvemos jogar videogame todos juntos...e foi a partir daí que, dentre as inúmeras risadas que dávamos, a mim, uma começava a se sobressair. Era Tomoe, com o que é provável que ainda seja a risada mais linda que já ouvi, simples, sincera, bonita...boa de escutar. Talvez tenha sido encanto ou sei lá do que se pode chamar, mas lembro-me que foi a partir daí que começamos a nos conectar.
No dia seguinte fomos todos dar uma volta de barco...ele ia até um pedaço no meio do mar, ficamos nadando por lá durante meia hora e voltamos pra praia. Foi nessa volta em que começamos a conversar e nos conhecermos. Me lembro ainda, vagamente, sobre o que falamos...mas o que lembro, falamos de música, sobre eu estar indo pra Campo Grande com meu grupo uma semana depois da data prevista para eles irem embora, entre outras coisas: estudos, gostos, programas de tv. Naquele mesmo dia, de volta ao apartamento, enquanto meus primos jogavam e minha tia tinha ido dormir, aproveitei para lavar as louças pra ela. Queria fazer aquilo sozinho, já que era o anfitrião do apê, mas Tomoe foi junto, e quando falei para ela que não precisava de ajuda, que dava conta, com um "psiiu" ela me calou, e me convenceu a lavarmos juntos. Simples assim.
A partir daquele momento, não paramos mais de conversar. Aos poucos fui percebendo como mudava o jeito que olhava pra ela e, embora até me esforçasse para não ver, estava ali estampado que o jeito como ela olhava pra mim também começava a ficar diferente.
Voltamos pra São Paulo, e eles ficariam mais...duas semanas, se não me engano. Os mesmos que estavam na praia fomos ao PlayCenter um dia. Apesar de ser janeiro, aquele dia estava frio, e como ela estava sem blusa ofereci minha jaqueta para ela e coloquei-a nos seus ombros, e isso foi nos aproximando ainda mais. Em um momento que não esqueço, ela me devolveu a jaqueta e agarrou no meu braço.
-Assim é melhor. - disse ela.
Fomos ao cinema um dia. Depois de cada passeio, voltávamos pra casa da minha tia, onde estavam hospedados, e enquanto todos assistiam à tv, eu ficava conversando com ela. Trocávamos pequenas experiências, angústias, nos aproximávamos, nos apaixonávamos.
No último dia deles aqui, fomos ao Hopi Hari. Foi o dia mais tenso. Não tínhamos ainda nem dividido um beijo, mas não nos separávamos. A cada investida dela, mais eu me afastava, talvez por medo de machucá-la, de me machucar, de tudo virar uma cicatriz, uma história triste. Ainda hoje, uma chuva forte me lembra daquele dia no Hopi Hari, e vem um pingo de melancolia junto. E, ao invés me afastar de vez, encarei meus medos: fui e me declarei no caminho para o carro. Falei que o que eu mais queria era namorá-la, que queria estar junto dela. Infelizmente, o fato de morarmos tão longe, talvez fizesse com que aquilo jamais se concretizasse. Voltamos em silêncio depois, cada um em um carro. Não sei quanto a ela, mas me pesou a situação...não sabia mais o que dizer...como agir quando não há nada a ser feito pra evitar o inevitável? De corpo, mente, coração e espírito cansados, acabei adormecendo no meio do caminho.
Como de costume, fomos à casa da minha tia depois do passeio. Depois de jantar, enquanto todos ainda estavam à mesa, fomos conversar no andar de cima...sobre o que aconteceria com a gente a partir dali. Comparávamos nossas vontades e fantasias com a realidade, na esperança de encontrar alguma brecha que tornasse aquele romance possível. Com 14 anos, Campo Grande e São Paulo faziam a maior das distâncias. Um momento mais que único, em que poderíamos ter trocado um beijo, foi o momento em que hesitei. O beijo que recebi na face esquerda acabou por se tornar uma cicatriz maior do que aquela que eu temia...e talvez maior do que seria se tivesse simplesmente beijado Tomoe com todos os sentimentos que me devoravam por dentro.
Jamais toquei aqueles lábios com os meus. No dia seguinte, o trio retornou a Campo Grande.

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Uma semana depois, foi a apresentação que fomos fazer no Okinawa de Campo Grande. Fomos no sábado, ficamos o domingo, e retornamos na segunda de manhã, no mais doloroso bate-volta que já fiz. Passei o dia da apresentação relembrando o que tinha acontecido. Tomoe não chegava. Queria vê-la, mas não queria que ficasse aquele momento estranho entre nós, ainda tinha medo.
Durante a apresentação, ela ficou praticamente à minha frente. Procurei não cruzar olhares, perderia completamente a concentração.
Depois, enfim, me encontrei com ela. Foi breve...não tinha muito tempo antes de ir embora com o ônibus do grupo. Sem precisar pensar, nos abraçamos, trocamos poucas palavras, vários olhares e sentimentos...sabe aqueles momentos em que uma troca de olhares é tudo o que precisa?...e depois, fui arrumar minhas coisas. Não queria me esquecer dela e não queria que se esquecesse de mim. Parti sem conseguir dizer adeus (entre várias outras coisas) como gostaria, mas deixei meu boné favorito em suas mãos, aquele que era minha marca registrada. Representaria meu coração. Nossa aventura. Metade de mim. Lá ele permaneceria por um algum tempo.
Na viagem de volta, contei a umas poucas pessoas próximas essa história.

A história de como uma mulher trouxe luz à escuridão de uma pessoa, e a transformou em dois indivíduos completamente diferentes.

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Na segunda-feira, ao iniciar das aulas, o mês anterior pareceu simplesmente um sonho.
Mas a cicatriz continuaria na face esquerda...e lembrarei do dia daquela apresentação até o dia de minha morte.

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Poderia acabar aqui, mas ainda há a segunda parte.
Talvez mais importante.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Coming back...

Prefácio

Eu ia recomeçar meu blog já reclamando e falando sobre tudo que tem me incomodado nos últimos tempos, mas resolvi que não.
Já que dessa vez pretendo deixá-lo na rede por um tempo, vou começar a contar desde o início, a dez anos atrás.....de forma bem linear, que possa a me ajudar a organizar meus pensamentos e sentimentos para daqui a um mês, em uma viagem que pode trazer importantes acontecimentos.

Não publicarei meu nome aqui.
Como diz o próprio nome do blog, foi feito primordialmente apenas para mim, para que eu, em meus introspectos, consiga organizar minha alma para combater meus espectros, meus fantasmas internos. No mínimo, quem chegar a este lugar, espero que ele sirva também como uma jornada curiosa ao interior de uma pessoa com crises internas, e que possa dar algum tipo de insight a quem vier parar aqui por acaso (ou não) com dúvidas sobre si.

Só não conte comigo para, propositalmente, fazer você pensar, sorrir, chorar. Leia somente se tiver paciência. E se achar que pode tirar algo útil daqui.

Este é o primeiro post. Seja bem-vinda(o).

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